Uma alusão à ilusão, partindo do geral:
Se tudo aquilo em que tocamos é real,
será real tudo aquilo que nos toca?
Eu toco no meu piano e ele obedece.
Mas se nunca lhe tocasse, não vos parece
que, assim como uma lente que desfoca,
poderia ser uma realidade tremida?
Pergunto então, onde é que a verdade se esconde?
O meu piano é sólido, frio, mas não me responde
Não tem vontade própria, é despido de vida...
Mas alguém chegou, sentou-se à sua frente...
Já não pode mais ser uma criação da minha mente,
Vejo braços pavoneantes percorrerem o seu teclado.
Ouço sons batidos em intervalos de compasso,
ouço melodia, ouço ritmo que se propaga no espaço.
Esta realidade que eu não toco, mas que me deixou tocado.
Antes e depois, assim era eu sem ti.
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