Joana...
Sim, hoje é apenas Joana. Não posso preceder o teu nome de um “Querida...”, porque já não te quero de maneira nenhuma. “Meu amor”? Não... já não te amo. Nem o “Cara Joana” faz sentido, porque perdeste todo o valor que tinhas para mim. Passámos três anos a cultivar um amor que secou tão rapidamente que nem me consegui aperceber do quão mal estávamos. A tua preguiça sentimental é um bocejo de vazio que tenho de encarar todos os dias e, sinceramente, perdi o desejo de estar contigo. Não te ris das minhas piadas, não acolhes as minhas carícias, não te interessas pelos meus assuntos nem me falas dos teus. Não ligas ao meu toque... aliás, ligas sim, mas é ao do telemóvel. Eu bem vejo como me olhas de esguelha e fomentas a merda desse ciúme de uma maneira tão exacerbada que pareces ficar possuída. Não tenho culpa de trabalhar numa empresa de gajas foda-se! Aposto que cada vez que pensas nas minhas colegas de trabalho, congelas esses pensamentos que depois te caem até à boca que nem cubos de gelo... é a única razão que encontro para os teus beijos serem tão frios ultimamente. Às vezes parece que jogas às escondidas comigo. Encondes-me o que sentes e eu conto até cem, mas sem vontade. Já sei que procuro algo que não quer ser encontrado. E ainda tens o outro jogo, o da apanhada, não é? Eu fujo das tuas perguntas sem nexo, tu irritas-te e ainda acabo por apanhar! Esse teu esbracejar violento contra o meu corpo é uma violência ainda maior para a minha alma e não há “coito” que a acalme. Podes-me chamar covarde por te escrever estas palavras, mas sei que os teus olhos são menos venenosos do que os teus ouvidos, portanto pode ser que, a ler, compreendas como está complicada a nossa situação. Caso te estivesse a proferir em voz alta as letras que te estimulam a lágrima neste momento, tenho a certeza que já estávamos a jogar à apanhada. Não quero brincar mais.