plantas p'almas

Com essas mãos tu bates palmas,
enquanto os teus pés batem as plantas.
Da mesma maneira que não te acalmas,
É assim que tu me encantas.

Essa euforia fora do normal,
Essa manifestação de furor explosivo
Que uns confundem com instinto animal,
mas a mim é o que me faz sentir vivo.
A Didas vai a Rebook da Nike
e o resto é Converse
Eu vou criar uma banda reggae,
mas não é para Jah.
Hoje em dia tudo se move tão rápido e livremente,
que o verdadeiro desafio já não é o de quebrar barreiras,
mas sim criá-las.
Ao contrário dos americanos,
eu não acho que exista um unico muçulmano perturbante,
mas sim um turbante per muçulmano.
As vezes não sei bem se nos deram um pacote de ajuda...
Ou se deram uma ajuda para nos virem ao pacote!
Se tratas as mulheres como um pedaço de carne,
estás feito ao bife.
Acho um desperdício passar férias em veleiros...
ficas a velas passar

assim métrica #3

De mão em mão, de mãos dadas com o Mundo,
Contemplo a vida que me refresca a face
e respiro em intervalos de meio segundo,
Como se tivesse medo que o ar acabasse

Faço-me à estrada, arranco alcatrão com a boca,
Com a inércia exarcebada de um peso pesado de aço.
Contemplo adornos de berma, de uma forma louca,
Como um pintor de rua que aperfeiçoa o seu traço.

Entusiasmo-me em maré baixa, nem dou pela onda chegar.
No meio da euforia sou derrubado sem me aperceber..
De que vale tanta tesão, se vamos todos acabar
A ser comidos pela rapidez com que um dia quisémos viver.

aludido

Uma alusão à ilusão, partindo do geral:
Se tudo aquilo em que tocamos é real,
será real tudo aquilo que nos toca?
Eu toco no meu piano e ele obedece.
Mas se nunca lhe tocasse, não vos parece
que, assim como uma lente que desfoca,
poderia ser uma realidade tremida?
Pergunto então, onde é que a verdade se esconde?
O meu piano é sólido, frio, mas não me responde
Não tem vontade própria, é despido de vida...

Mas alguém chegou, sentou-se à sua frente...
Já não pode mais ser uma criação da minha mente,
Vejo braços pavoneantes percorrerem o seu teclado.
Ouço sons batidos em intervalos de compasso,
ouço melodia, ouço ritmo que se propaga no espaço.
Esta realidade que eu não toco, mas que me deixou tocado.

Antes e depois, assim era eu sem ti.


tombuda

Confesso que o teu melhor tom
é o de pele... ou o abafado.
O "mute", mamute, elefante.
Essas tuas trombas são um dom
que, sorte a tua, fica ofuscado
pelo sorriso falso e corpo elegante.


semtidos

Não encontro, pois nem procuro.
A luz fere-me, não enxergo no escuro,
O meu tacto não sente, falham-me os ouvidos.
A minha voz... ninguém compreende
Nenhuma das palavras que por ela ascende...
Para quê procurar, se me falham os sentidos
Para que encontrar, se não faz sentido.