Senhor Pedro, ninguém o atura
E na sua candidatura
Deu um passo maior que a perna.
É verdade, caro Passos Coelho
Vieste cá meter o bedelho
Mas não sabes como se governa.
É verdade e digo de novo:
Não sabes como se governa um povo!
Carta de desamor
Joana...
Sim, hoje é apenas Joana. Não posso preceder o teu nome de um “Querida...”, porque já não te quero de maneira nenhuma. “Meu amor”? Não... já não te amo. Nem o “Cara Joana” faz sentido, porque perdeste todo o valor que tinhas para mim. Passámos três anos a cultivar um amor que secou tão rapidamente que nem me consegui aperceber do quão mal estávamos. A tua preguiça sentimental é um bocejo de vazio que tenho de encarar todos os dias e, sinceramente, perdi o desejo de estar contigo. Não te ris das minhas piadas, não acolhes as minhas carícias, não te interessas pelos meus assuntos nem me falas dos teus. Não ligas ao meu toque... aliás, ligas sim, mas é ao do telemóvel. Eu bem vejo como me olhas de esguelha e fomentas a merda desse ciúme de uma maneira tão exacerbada que pareces ficar possuída. Não tenho culpa de trabalhar numa empresa de gajas foda-se! Aposto que cada vez que pensas nas minhas colegas de trabalho, congelas esses pensamentos que depois te caem até à boca que nem cubos de gelo... é a única razão que encontro para os teus beijos serem tão frios ultimamente. Às vezes parece que jogas às escondidas comigo. Encondes-me o que sentes e eu conto até cem, mas sem vontade. Já sei que procuro algo que não quer ser encontrado. E ainda tens o outro jogo, o da apanhada, não é? Eu fujo das tuas perguntas sem nexo, tu irritas-te e ainda acabo por apanhar! Esse teu esbracejar violento contra o meu corpo é uma violência ainda maior para a minha alma e não há “coito” que a acalme. Podes-me chamar covarde por te escrever estas palavras, mas sei que os teus olhos são menos venenosos do que os teus ouvidos, portanto pode ser que, a ler, compreendas como está complicada a nossa situação. Caso te estivesse a proferir em voz alta as letras que te estimulam a lágrima neste momento, tenho a certeza que já estávamos a jogar à apanhada. Não quero brincar mais.
pauta da felicidade
Esta pauta da felicidade
começa com um dia de SOL.
Passa por MI, passa por SI,
E confesso que, na verdade,
só FÁ bem à alma.
Segues o compasso, com calma.
Não te dá o Norte, pouca sorte,
mas desnorteia-te com um crescendo
deste ritmo acelerado e dançável.
é neste som que eu nos compreendo:
sinto-me adorado, tu és adorável.
plantas p'almas
Com essas mãos tu bates palmas,
enquanto os teus pés batem as plantas.
Da mesma maneira que não te acalmas,
É assim que tu me encantas.
Essa euforia fora do normal,
Essa manifestação de furor explosivo
Que uns confundem com instinto animal,
mas a mim é o que me faz sentir vivo.
assim métrica #3
De mão em mão, de mãos dadas com o Mundo,
Contemplo a vida que me refresca a face
e respiro em intervalos de meio segundo,
Como se tivesse medo que o ar acabasse
Faço-me à estrada, arranco alcatrão com a boca,
Com a inércia exarcebada de um peso pesado de aço.
Contemplo adornos de berma, de uma forma louca,
Como um pintor de rua que aperfeiçoa o seu traço.
Entusiasmo-me em maré baixa, nem dou pela onda chegar.
No meio da euforia sou derrubado sem me aperceber..
De que vale tanta tesão, se vamos todos acabar
A ser comidos pela rapidez com que um dia quisémos viver.
Contemplo a vida que me refresca a face
e respiro em intervalos de meio segundo,
Como se tivesse medo que o ar acabasse
Faço-me à estrada, arranco alcatrão com a boca,
Com a inércia exarcebada de um peso pesado de aço.
Contemplo adornos de berma, de uma forma louca,
Como um pintor de rua que aperfeiçoa o seu traço.
Entusiasmo-me em maré baixa, nem dou pela onda chegar.
No meio da euforia sou derrubado sem me aperceber..
De que vale tanta tesão, se vamos todos acabar
A ser comidos pela rapidez com que um dia quisémos viver.
aludido
Uma alusão à ilusão, partindo do geral:
Se tudo aquilo em que tocamos é real,
será real tudo aquilo que nos toca?
Eu toco no meu piano e ele obedece.
Mas se nunca lhe tocasse, não vos parece
que, assim como uma lente que desfoca,
poderia ser uma realidade tremida?
Pergunto então, onde é que a verdade se esconde?
O meu piano é sólido, frio, mas não me responde
Não tem vontade própria, é despido de vida...
Mas alguém chegou, sentou-se à sua frente...
Já não pode mais ser uma criação da minha mente,
Vejo braços pavoneantes percorrerem o seu teclado.
Ouço sons batidos em intervalos de compasso,
ouço melodia, ouço ritmo que se propaga no espaço.
Esta realidade que eu não toco, mas que me deixou tocado.
Antes e depois, assim era eu sem ti.
tombuda
Confesso que o teu melhor tom
é o de pele... ou o abafado.
O "mute", mamute, elefante.
Essas tuas trombas são um dom
que, sorte a tua, fica ofuscado
pelo sorriso falso e corpo elegante.
semtidos
Não encontro, pois nem procuro.
A luz fere-me, não enxergo no escuro,
O meu tacto não sente, falham-me os ouvidos.
A minha voz... ninguém compreende
Nenhuma das palavras que por ela ascende...
Para quê procurar, se me falham os sentidos
Para que encontrar, se não faz sentido.
Subscrever:
Comentários (Atom)